Sempre fui um adepto dos objectos vintage, das peças que por detrás da sua beleza estética escondem uma história; uma história presente em cada linha gasta do desenho que outrora foi revolucionário e que continua fresco como se os anos não passassem por si.
Dentro do panorama arquitectónico, continuo a surpreender-me com edifícios que continuam inquietantes e belos... décadas e décadas depois de se implementarem e marcarem presença numa selva de concreto.
Um bom exemplo disso situa-se em Madrid, cidade carismática com grande movida e identidade muito própria... as eternas Torres Blancas.
Saídas dos traços do mestre Francisco Javier Sáenz de Oiza, este projecto veio impor a sua força na década de 60. Com o intuito de criar uma cidade dentro deste imponente edifício, onde os seus moradores além de fantásticos pisos, podiam socializar na piscina da cobertura, trabalhar e jantar graças ao seu restaurante no último piso, que podia fornecer a comida para os apartamentos através de um monta-pratos.
Contrariando o seu nome, na verdade nunca foram brancas, senão cinzentas pelo betão que as caracteriza... o seu nome plural surgiu pois inicialmente estava projectada uma segunda torre, que infelizmente não rompeu o solo madrileno, pois foi travada devido por ser um projecto de cariz atrevido; como eu gosto de projectos atrevidos...
A pretensão de Oiza era construir um edifício de habitação singular, com uma altura sem fim, que crescia organicamente como se de uma árvore se tratasse - recorrendo as escadarias verticais, elevadores e instalações como metáfora ao ramos e recorrendo às grandes varandas como se fossem as folhas que cresciam belas, nesta árvore de betão.
Baseado no racionalismo de Le Corbusier em construir habitações com jardins em altura
e nas propostas organicistas de Frank Lloyd Wright; Oiza sintetizou ambas e criou uma obra reconhecida como uma das obras mestras do organicismo, no país de nuestros hermanos!












